Ironman Rio 70.3 – A realização do sonho!

Ironman Rio 70.3 – A realização do sonho!

Dia 06 de novembro de 2016, foi o dia de realizar um sonho! Um sonho que compartilho aqui no Sua Casa é o Mundo desde Abril. Me organizei para correr duas provas de triathlon na distância olímpica. Como contei no post sobre o meu primeiro Triathlon e após a minha segunda prova no Rio Triathlon. Foi assim que me preparei para o Ironman Rio 70.3, que concluí com sucesso e muita alegria! 

A véspera da prova

No dia 05 de novembro, sábado, foi dia de assistir ao Congresso Técnico e fazer o Bike Check in. Saí cedo de Niterói já com tudo que era necessário para fazer a prova. Tinha pego meu kit um dia antes já para deixar tudo organizado, evitar filas, tirar fotos e dar uma olhada na feirinha que sempre rola no evento. 

Cheguei no Recreio, local da prova, de manhã para assistir o Congresso técnico e já fiquei por lá na casa de uns amigos que nos receberam esse final de semana. As 18h voltei ao local da prova para fazer meu Bike Check in. E estava a maior chuva! O mundo parecia se acabar em água naquele momento. Ficamos eu e Edinho dentro do carro por alguns minutos, olhando aquela chuva a bike no carro e as sacolas que eu deveria entregar. Eu só pensava na prova do dia seguinte. Como seria enfrentar o Ironman Rio 70.3 debaixo de tanta chuva? 

Logo que a chuva deu uma melhorada não teve jeito, saí com um casaco impermeável para a fila. Comprei uma capa de chuva para a bike e entreguei as sacolas.

Agora era ir para a casa, comer bem e descansar. O Ironman Rio 70.3 começaria em algumas horas e eu precisava relaxar.

O grande dia Ironman Rio 70.3

Acordei as 5 h da manhã, preparei com o Edinho meu café da manhã e partimos para o local da prova. Às 6h da manhã enquanto o Edinho tentava estacionar eu tentava me acalmar enquanto revisava se a bike estava funcionando e colocava alguns suplementos nas minhas sacolas de transição. Assim que acabei isso tudo fui terminar de colocar a roupa da natação e dar aquele abraço emocionado no Edinho que ia se posicionar para as filmagens enquanto eu fui para o mar me aquecer.

A hora da largada - Natação

ironman_rioA largada da natação é um momento tenso para mim. Como sempre fico muito nervosa antes da prova, acho que desconto essa tensão sempre nas primeiras braçadas. 

Tocou o sinal e corri para o mar. Me posicionei na lateral esquerda e nadei forte, tão forte que nos primeiros 200 ou 300 metros eu estava entre as primeiras e morta! A sensação é horrível! Parece que vou me afogar, falta ar, uma droga. Mas, já acostumada com esse erro básico tratei de nadar devagar e me acalmar. 

Não demorou muito a respiração voltou ao normal e a natação encaixou.

Como não gosto de nadar no meio do bolo de gente, sempre nado um pouco mais a direita ou a esquerda da grande quantidade de pessoas nadando. Eu estava um pouco mais a direita quando começo a sentir uma mão batendo no meu pé a todo instante. Uma, duas, três, dez vezes. Aquilo foi me irritando. Tentei sair da reta da pessoa, desviei para um lado, desviei para o outro e nada. Continuava sentindo aquela mão batendo incessantemente nos meus pés. Foi quando a irritação chegou num ponto que resolvi parar de nadar. Parei por uns instantes e deixei a minha seguidora desconcertada. Após isso pude continuar minha natação tranquila e sem mãozadas constantes nos meus pés.

O mar estava bem ondulado e após a penúltima boia perdi um pouco a referência e acabei não navegando bem, quando me dei conta estava bem a esquerda da última boia pela qual eu deveria passar a direita. Mas, mantive meu ritmo bem até o final, terminando a natação dentro do tempo previsto (00:38:55) e tendo nadado quase 200 metros a mais do que o necessário. 

T1 - a primeira transição

Terminada a natação corri para a área de transição. Tirei a roupa de borracha e resolvi fazer tudo com bastante calma. Estava na cabeça que daria tempo de fazer tudo e era importante ter calma para terminar a prova bem. Peguei a minha sacola do ciclismo e despejei tudo no chão. Coloquei a roupa de borracha, óculos e touca dentro dela e comecei a paramentar para o ciclismo. Capacete, óculos, meia, sapatilha e bermuda. Comi um pedaço de banana, hidratei com um pouco de água e fui buscar minha bike.  ironman-bia-bike-1

O ciclismo

O ciclismo era a modalidade da prova que mais me assustava. A natação eu sabia que seria tranquila, a corrida eu sabia que seria muito difícil, mas estava disposta a caminhar se fosse necessário até o portal da chegada, mas o ciclismo, esse dependia de muita coisa. Encarar os 90 km de bike do Ironman Rio 70.3 não é brincadeira. A prova requer um pouco de habilidade nas subidas e descidas. A prova consistia em 3 voltas. A primeira e mais longa partia do pontal até o final da Reserva e na volta seguia rumo a Grota Funda em um percurso de pequenos sobe e desce com alguns quebra-molas no caminho. Mais a frente, perto do km 30 da prova, 2,5 km de subida e 2,5 km de descida terminando numa curva bastante fechada e voltando por esse mesmo caminho. Esse era o momento crítico da prova para mim.

Como o tempo melhorou e não estava chovendo, o asfalto estava seco e nesse momento não tinha tanto vento. Assim, não foi tão problemática a passagem por ali. Pensava desde o início em passar pelas subidas e não enfrentá-las. Acalmei e pedalei fazendo força, mas sem forçar demais porque precisaria, e muito, ainda das minhas pernas para completar todo o percurso.

Momentos simples e mágicos

Já subindo a Grota Funda pedalando bem devagar e fazendo força tive um momento muito legal na minha prova. Passou por mim uma borboleta azul grande e linda. Ficou ali por alguns minutos sobrevoando do meu lado direito, depois atravessou a pista e saiu pela mata do lado esquerdo. Foi um momento rápido, mas que por alguma razão me trouxe a cabeça a presença do meu irmão e do meu pai que hoje me acompanham de outra dimensão. Me emocionei. Mas, era hora de segurar o choro. O pedal ainda estava no início e havia muita prova pela frente. Me concentrei e segui. Ainda fazendo força na subida encontrei a Roberta e a filhinha dela Sofia. Foi muito rápido mas bem motivante.

Após ter completado essa primeira volta do pedal ainda me restavam uma volta de 20 km e uma volta de 24 km. Eu já estava cansada. A ida para a Reserva era sempre pior que a volta. O vento contra, a pedalada não rendia, mas a volta fazia o ritmo melhorar bastante e dava uma animadinha para seguir fazendo força. A última volta foi a pior de todas. Já cansada e com o vento tendo apertado, pedalei com dificuldade, A dor na lateral externa da perna direita dava sinais de querer aparecer. Optei por sair do clip da bike e perder um pouco da velocidade, mas evitar fazer o movimento que aumentava a minha dor. funcionou. Terminei o pedal cansada, mas sem grandes dores. Foram 03:23:00 horas pedalando a uma velocidade média de 26,6 km/h. 

Um aprendizado importante dessa parte da prova vai ficar na memória. Todo mundo sempre repete que não se deve testar nada no dia da prova. Nada de equipamento novo, nada de suplementação nova. Devemos testar tudo antes para não termos surpresas desagradáveis na hora da prova. E eu dei esse mole. Como estava precisando muito de uma nova bermuda para pedalar comprei uma na véspera da prova. Achei ela ótima, de compressão com um bom forro e resolvi usá-la na prova sem antes ter usado para o treino. A bermuda escorregava no banco da bike e embolava na cintura e eu passei horas tentando me acertar no selim da bike e colocar o cós da bermuda no lugar. Resultado dessa brincadeira foi uma bela assadura e tempo perdido tentando arrumar a bermuda.

T2 - a segunda transição

Na segunda transição era hora de deixar a bike com o staff e seguir para pegar a sacola da corrida. Saí da bike meio cambaleando. Mas segui firme. Caminhei um pouco e depois trotei até a sacola. Tirei a bermuda, capacete e sapatilha. Era hora de colocar o tênis e seguir em frente. Tomei um pouco de Gatorade, água e parti para a parte final da prova.

A corrida

corrida-1Era chegada a hora da última modalidade. Eu estava muito feliz. Tudo tinha saído conforme o planejado até ali. Estava dentro do tempo que eu previa, na verdade, estava com mais tempo para correr do que eu esperava. Agora era seguir firme pelos próximos 21 km até o final. 

Comecei a correr empolgada. Fiz o primeiro km para um pace menor que 6 min/km. Sabia que isso não ia durar muito. Tentei diminuir no segundo km, mas antes de completar o terceiro eu já estava morta. Caminhei um pouco. Me concentrei e voltei a correr. A musculatura já reclama muito a essa altura. As pernas doem, a coluna doía, até meus braços doíam. Até que descobri que a solução era tirar o foco da dor.

Vi o Edinho muitas vezes pelo caminho na corrida. Ele estava sempre me esperando passar com uma máquina na mão empenhado em me filmar, torcer e me incentivar. Era motivante ver a alegria dele me gritando e falando para mim que eu estava muito bem. Logo comecei a ver também os amigos que foram me prestigiar. A galera da minha equipe CE+3, a Talita, amiga de longa data, e mais um grande grupo que estava com o Edinho sempre que me viam passar me gritavam e incentivavam! Que gás que dá a torcida! Logo na primeira volta quando ainda estava me sentindo muito cansada encontrei meu treinador. Ele conversou comigo por alguns minutos e me deu a maior moral. A partir dali não andei mais. Segui no meu trote contínuo até o final da prova só parando nos postos de hidratação.

Uma boa estratégia para mim era seguir firme correndo até o posto de hidratação seguinte. A prova estava muito bem estruturada e a cada 2 km mais ou menos era possível pegar um pouco de água, gatorade, Pepsi e ainda comer alguma coisa. Eu optei por sempre jogar bastante água na cabeça, pois a essa hora o mormaço já estava queimando. Bebia também um pouco de água e Gatorade e chupava um pedaço de laranja! A laranja super funcionou. Tentei um pouco de Pepsi mas não consegui. O gás não me fez bem e acabei ficando com as outras opções. Suplementei um pouco também com as minhas gominhas de carboidrato.

E assim foi a prova inteira. Me distraí com as pessoas, com os amigos que passavam correndo,com o Edinho me filmando e me gritando, com os amigos na torcida, com a paisagem. E segui distribuindo sorrisos e curtindo muito cada momento. Torci muito pela Ju, uma amiga dos treinos de natação que estava na prova também e já na ultima volta passei por ela bem perto da chegada enquanto eu seguia para a minha ultima volta. Dei um abração nela, a felicitei pela conquista e segui adiante. 

Completei a corrida em 02:23:23 horas. Uma boa corrida para mim que tenho essa como minha pior modalidade e já estava bem cansada do pedal e natação.

O sonho do Ironman Rio 70.3 realizado!ironman-bia-7

E com 06:37:58 horas de prova eu realizo o meu sonho do ano. I'm an Ironwoman! O Ironman Rio 70.3 foi realizado e superou todas as minhas expectativas.

Completei a prova para menos de 7 horas tendo treinado por apenas 9 meses. Não foi uma conquista fácil. Treinei muito, superei meu desequilíbrio na bike, superei o meu desânimo com a corrida, tive que deixar de lado muitas vezes o treino que mais me dava prazer que era a natação para poder dar conta de me desenvolver aonde eu tinha mais deficiências. Mas tudo isso valeu muito a pena.

Esse dia vai ficar para a história. Não só por ter completado um Ironman 70.3, mas por tudo que isso significa. Não é a conquista pela conquista, é pela transformação que isso tudo acarreta na gente. Hoje me sinto mais forte e mais capaz de superar obstáculos e correr atras dos meus sonhos. 

Inúmeros agradecimentos já foram feitos! Para todos que me fizeram chegar até aqui, meu muito obrigada! Com a energia compartilhada tudo fica mais fácil e mais feliz! Não chegaria sozinha até aqui! Obrigada meus treinadores, minha família e meus amigos que são a família que me permitiram escolher! Obrigada Edinho por ser tão parte disso tudo! E a cada um de vocês que torceu por mim, enviou boas vibrações e me acompanhou nessa jornada!

Espero que todos vocês realizem também seus sonhos! O gostinho da conquista é bom demais!

Seguir Bia Carvalho:

Criadora do @mulheresqueescalam. Se amarra nas atividades em contato com a natureza, seja velejando no mar ou escalando montanhas. Encontrou nos esportes uma terapia. Adora compartilhar e incentivar a prática de atividades saudáveis.

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