Travessia Lapinha – Tabuleiro

Travessia Lapinha – Tabuleiro

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Desenvolver atividades ao ar livre curtindo a natureza é uma das minhas paixões. De quatro anos pra cá essa tem sido a opção para comemorar a passagem de ano. Como em time que está ganhando não se mexe, lá fomos nós pesquisar mais uma aventura. Algo que não fosse caro, pois as prioridades para 2018 demandavam uma virada de ano econômica, interessante e preferencialmente na montanha. Assim, a travessia Lapinha - Tabuleiro foi eleita como destino da festa e o resultado superou as melhores expectativas.

Lapinha - Tabuleiro

Lapinha - Tabuleiro é uma clássica travessia na Serra do Espinhaço. Começa no município de Lapinha da Serra e termina no Parque Natural Municipal do Tabuleiro, com um visual incrível da cachoeira do Tabuleiro, 3ª maior cachoeira do Brasil e maior de Minas Gerais, com 273 m de queda d´água. Localizada em Tabuleiro, um pequeno distrito de Conceição do Mato Dentro.

A travessia não tem grandes variações altimétricas, basicamente são três subidas (começo da travessia e retorno da parte alta e da parte baixa da cachoeira) e três descidas consideráveis (fim da travessia e as idas até a cachoeira). A vegetação predominante é o campo rupestre, com trechos de cerrado e “ilhas” isoladas de mata atlântica.

Como chegar

O acesso tanto para Lapinha quanto para Tabuleiro, de carro, não é muito complicado. No entanto, para ambas cidades é preciso pegar um trecho de estrada de terra.

Se a opção for ir de ônibus, para Lapinha deve-se pegar ônibus para Santana do Riacho e para Tabuleiro o destino deve ser Conceição de Mato Dentro. Dessas cidades deve-se combinar o translado para os acessos à travessia.

lapinha tabuleiro sua casa é o mundo

Nossa Trip

Um dos fatores que pesou na escolha da travessia Lapinha - Tabuleiro foi a possibilidade de passar em BH e visitar a família. Apesar de ser do Rio, a família é mineira e frequentemente vamos lá comer pão de queijo e bolo de fubá.

Nas idas e vindas para a terra das montanhas alterosas a família de amigos só cresce. Afinal de contas, alguém conhece mineiro chato? Como eu não conheço fiquei feliz da vida com a resposta positiva do Vi e do Leandrinho pra trip de reveillon. Vi convidou a querida Amandinha e o Leandrinho falou com a Nath, com o Thales e com o Vitor. Time formado.

A ida

Nessa visita familiar, meu pai, que nunca consegue dizer não, foi escalado para auxiliar na missão. A galera estava organizada em três carros: O Vi foi direto para Lapinha com parte da galera. Eu e Bia encontramos meu pai e Leandrinho na Serra do Cipó fomos até a entrada do Parque Municipal Natural de Tabuleiro onde deixamos o nosso carro e o da Nath.

Depois de deixarmos o carro pegamos uma carona com meu pai e fomos todos pra Lapinha da Serra onde fomos super bem recebidos no camping da Isabela e do Amilton. Eles estavam fazendo obra, recebendo outras pessoas que foram passar o reveillon e nós chegamos quase às dez da noite. O Amilton, muito atencioso, parou o que estava fazendo e arrumou uma jantinha maravilhosa pra gente. Comemos e dormimos igual neném gorducho.

A travessia

Do nosso time, Eu, Bia, Thales e Vitor estávamos acostumados a fazer travessias. O Leandrinho já era acostumado com perrengues, mas nem tanto com travessias. Nath, Amanda e Vi estavam estreando na atividade. Em síntese, éramos um grupo muito heterogêneo. Eu e Bia estávamos até apreensivos em como seria isso e a surpresa foi mais que especial.

Nosso plano era percorrer aproximadamente 40 km, dividido em três dias. No primeiro dia a intenção era sair de Lapinha da Serra e caminhar até a praia do rio Paraiuninha. No dia seguinte ir até a casa do Seu Zé e da Dona Maria, montar acampamento, seguir até a parte alta da cachoeira do Tabuleiro só com as mochilas de ataque e voltar para o camping no Seu Zé. E o dia derradeiro prometia uma visita a parte baixa da terceira maior cachoeira do Brasil.

 

 

Eu achei muito legal. Eu não imaginava que isso seria tão divertido. Já queremos marcar a próxima.

Vinicius Moraes

lapinha tabuleiro Amilton
Galera na Pousada do Amilton

Dia 1

No dia 30 de dezembro, após um abraço de ano novo na Isabela, no Amilton e no meu pai seguimos para a trilha. Saímos de Lapinha da Serra seguindo a direção geral leste. Cruzamos o alagado, que estava bem mais seco do que nas fotos que vimos, e seguimos para o sul numa trilha confortável até a subida que contorna a Serra do Breu.

A subida é um pouco técnica, demanda atenção e da uma cansadinha. Devido às características do nosso grupo paramos para reagrupar umas três vezes. Mas a vibe da galera estava ótima e o ritmo não foi tão devagar. Caminhamos aproximadamente 3 km/h, num dia nublado que apesar de quente estava confortável pra andar.

Em Lapinha fomos avisados que o camping da praia do rio Parauninha era uma área particular e estava sendo cobrado uma taxa para dormir lá. Se tratando de uma área particular, achamos justo e levamos dinheiro.

Rio Parauninha

Chegando no rio Parauninha, na porteira vimos um aviso dizendo que era proibido acampar por ser uma área particular, como levamos dinheiro para pagar por isso, imaginamos que alguém viria nos cobrar e montamos acampamento num local perto do rio com vestígios de área e acampamento (pedras organizadas como fogueira com resto de cinzas, espetos e grelhas de churrasco, cordéis e barbantes) porém não apareceu ninguém.

Voltando a infância

Até hoje não entendi bem se poderíamos ter dormido lá ou não. Se fosse repetir a travessia, seguiria o aviso da placa e não acamparia às margens do rio.

O fato é que como chegamos cedo, próximo da hora do almoço, fizemos uma comida e passamos uma tarde bem proveitosa. Ninguém com celular na mão, muitas conversas olho-no-olho e brincadeiras divertidas que lembravam a infância. O destaque ficou pra Adedonha, adedanha ou stop (depende de onde você que está lendo cresceu).

Dia 2

O segundo dia seria o mais longo da travessia. Amanda e Nath estavam sentindo os pés. Amandinha porque foi calçando um bamba e Nath porque o tênis estavam fazendo um calo. Diminuímos o ritmo e fomos favorecidos pelo relevo. Quase não tinha variação altimétrica, eram leves subidas e descidas em paisagens lindas.

É o dia de cruzar a Serra do Intendente, passamos por várias porteiras e após a única subida íngreme do dia chegamos na entrada do Parque do Tabuleiro. Estudando para a travessia eu imaginava que haveria uma sede na entrada, mas é mais uma porteira com uma placa indicando que chegamos ao parque.

Pouco mais de 1km depois da entrada do parque paramos para nos refrescar numa piscina natural e o grupo se dividiu, o que acabou nos levando a sair da trilha. Quando recomeçamos a caminhar, a galera que estava na frente tinha derivado para a direita e após nos reagrupar tivemos que voltar algumas centenas de metros para pegar o caminho certo.

O erro não nos atrasou muito e chegamos na casa do Seu Zé com tempo para montar o acampamento, deixar as mochilas na barraca e seguir com uma mochilinha de lanches rápidos e água para a parte alta da cachoeira do Tabuleiro.

Parte Alta da Cachoeira

O segundo dia estava com o tempo melhor. Essa época do ano (dezembro e janeiro) é período de chuva e as previsões davam certeza que iríamos encontrar água pelo caminho. Até então o dia estava nublado com o sol dando o ar da graça em alguns momentos.

Seguimos para a parte alta num caminho que não é técnico mas é íngreme. Na ida descendo o que significa que a volta não será uma molezinha. São aproximadamente 250 metros de variação vertical.

Caminhamos até o cânion do rio Preto (rio da cachoeira do Tabuleiro) e sem nem pensar muito já caímos na primeira piscina natural que encontramos. Uma água deliciosa, meio avermelhada e bem fresquinha. Com a reunião de todo o grupo decidimos descer pelo cânion até a queda d´água.

Com um olho na belíssima paisagem e outro no céu, que começava a se fechar chegamos na parte alta da cachoeira no mesmo instante que começou a chover. Foi engraçado, fiz a primeira fotografia e caiu o primeiro pingo. Automaticamente guardei o celular e começamos a voltar. Estar dentro do cânion durante uma tromba d´água não estava nos nossos planos.

Como uma ironia, foi nos afastarmos da parte alta que a chuva passou. Na verdade, nem chegou a chover com intensidade, mas segurança nunca é demais. Nos banhamos em um poço mais acima e seguimos para admirar a cena mais linda do dia, lá do mirante da Parte Alta.

Mirante da Parte Alta

Cachoeira do Tabuleiro

Quase chegando no cânion do rio Preto, seguindo na direção geral norte, por aproximadamente 600 m, existe um mirante para observar os 273 m de queda d'água da Cachoeira do Tabuleiro.

A foto não é capaz de transmitir a beleza encantadora daquele lugar. Em mim o desejo de saltar dali foi muito parecido com o que senti quando visitamos o Trolltunga, na Noruega. Certamente, um dia, voltarei nesses lugares para mandar um B.A.S.E Jump.

Mas apesar do desejo de permanecer ali admirando a beleza, já estava na hora de retornar. O caminho de volta era uma subidinha nem tanto agradável e o sol já se aproximava do horizonte.

Reveillon

Voltamos para a casa do Seu Zé e boa parte da nossa galera optou por jantar e tomar café da manhã lá. Eu e Bia, como estávamos com uma comida liofilizada deliciosa preferimos seguir nossa rotina de travessias. Nos juntamos à galera e fizemos a "ceia" de ano novo.

Mais tarde tivemos outra grata surpresa. No camping, um grupo de novos amigos nos convidou para celebrar o novo ano ao redor da fogueira. Uma energia ótima, várias ideias e conversas agradáveis e um início de ano muito melhor do que estávamos esperando. Após abraços e votos de felicidades seguimos para a barraca felizes e agradecidos.

Último dia

O terceiro dia é o mais tranquilo da travessia. Basta descer até Tabuleiro, mais precisamente até a entrada do Parque. Uma descida tranquila, bem balizada e com uma inclinação confortável. Poucos metros antes da portaria fica um pouco mais íngreme, mas basta prestar um pouco mais atenção que flui bem.

Da portaria, optamos por conhecer a parte baixa da cachoeira do Tabuleira. Pagamos R$ 10,00 por pessoa e descemos vários lances de escada até chegar no cânion do rio Preto. As escadas foram colocadas ali por causa dos processos erosivos que estavam degradando muito o local. As pessoas desviavam da trilha principal e a cada chuva as crateras iam se abrindo.

Lá em baixo no cânion do rio, pulamos algumas pedras, passamos por trechos de trilha e chegamos no maravilhoso poço que recebe as águas da cachoeira. Um poço enorme, um formato elíptico de aproximadamente 80 por 100 metros. Com a mesma água deliciosa do rio preto, mas agora com a bela cena da maior cachoeira de Minas Gerais.

Seguindo orientação do guia do Parque Municipal Natural do Tabuleiro, quando começou a ameaçar uma chuvinha decidimos voltar e subir a cansativa escadaria. Segundo ele, se chove por 40 minutos na região já existe risco de tromba d'água. E como do poço até a escadaria, num ritmo tranquilo, se leva cerca de 20 minutos, não é aconselhável enrolar muito lá em baixo em caso de mal tempo.

Ano novo na Lapinha - Tabuleiro

A virada do ano nada mais é do que um dia comum. Porém, o simbolismo de fim/início de ciclo nos remete a diversos pensamentos e planos. Há alguns anos escolhemos viver esse momento em contato com a natureza, em ambientes naturais belos e preferencialmente com poucas pessoas.

Com a previsão do tempo que tínhamos, o grupo tão heterogêneo e a logística de chegar e sair, a mais otimista das nossas previsões não chegaria nem perto do que foi essa viagem.

A beleza ímpar da região, a energia e carinho das pessoas que encontramos e o ambiente que vivemos no grupo que formamos foram uma das melhores atividades de 2017 e nos faz crer que 2018 mais que promete.

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Fundador

Fundador do Sua Casa é o Mundo. Apaixonado por viagens, atividades ao ar livre e esportes de aventura. Acredita que sonhar é importante e realizar sonhos é fundamental. Sua missão é inspirar compartilhando histórias, fotos e dicas úteis.

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