Torres del Paine – Circuito W

Torres del Paine – Circuito W

Post da Convidada

Fernanda Cazerta (Fer) é uma companheira de aventuras do Sua Casa é o Mundo e atendendo pedidos relata uma trip iradíssima no Circuito W em Torres del Paine, uma viagem e tanto acompanhada pelo Tulio Abreu (Tuca) na maravilhosa região da Patagônia Chilena, .

O circuito W

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O circuito W

O circuito W é um trekking dentro do Parque Torres del Paine, na Patagônia Chilena. O trajeto leva esse nome pois faz-se, caminhando, uma rota em formato de W (que na verdade, é apenas um trecho de um circuito ainda maior, conhecido por “O” – assunto para viagem e relato futuros). Nas “bases” da letra W estão os refúgios, e cada uma das “pernas” compreende uma subida que culmina, normalmente, em um mirante com uma vista maravilhosa.

O Site oficial do Parque tem bastante informação.

Distância percorrida:

No total, percorre-se aprox 75km. Normalmente, em 4 dias.

Sentido da caminhada:

Você pode fazer o circuito da esquerda para a direita, ou da direita para a  esquerda. A maior parte das pessoas segue a segunda opção, iniciando a caminhada logo com o maior cartão-postal da região – Las Torres.  Optei por fazer nesse sentido para enfrentar o primeiro dia, que é o mais difícil na minha opinião (altimetria mais agressiva), descansada. Também é importante estar atento ao clima, e tentar se planejar para subir as Torres em um dia aberto. Muita gente muda o sentido escolhido dentro do ônibus, a caminho do parque. Se vc for se hospedar em campings, terá essa flexibilidade.

Clima – melhor época do ano para visitar:

Verão – eventualmente, no inverno, parte do parque fica fechada.

O tempo no parque muda muito, e rapidamente. Ao longo dos 4 dias, vc vai certamente enfrentar sol, chuva, vento e frio. Esteja preparado e com equipamento adequado! Mais à frente eu conto o que levei! =)

Vantagem:

Durante o verão, amanhece super cedo (4-5hrs) e escurece super tarde (23hrs), ou seja, já muita luz do dia para que você possa fazer sua caminhada em um ritmo bem tranquilo.

Além disso, as partes mais difíceis do W você faz “leve”, apenas com mochila de ataque, deixando todo o resto do equipamento no camping, onde você voltará ao final do dia! =)

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Plena luz do dia, no meio da noite

Onde ficar:

Pode-se fazer o circuito utilizando hotéis, refúgios e campings. Em uma parte do parque a estrutura é adiministrada pela Vertice  Patagonia. Em outra parte, pela Fantastico Sur. Nesses dois sites você encontrará informações detalhadas sobre todas as opções de acomodação que cada ponto oferece, e poderá também efetuar suas reservas.

Camping:

Camping é obviamente a opção mais barata – e foi a que escolhi. Todos contam com uma cozinha compartilhada, com pia, bucha, detergente, mesas e cadeiras. Leve sua própria comida (apesar de terem lojas com mantimentos básicos) e seus próprios equipamentos – fogareiro, gás, pratos, panelas e talheres. Os campings contam também com um banheiro com água quente, que normalmente fecha as 22hrs – cuidado para não ficar sem banho quente!

Os campings ficam sempre ao lado de um refúgio, e quem estiver acampando pode utilizar a estrutura de restaurante/bar do refúgio normalmente.

Seguindo recomendações que eu havia lido, reservei tudo com antecedência, mas sei que muita gente faz tudo lá na hora. Em camping até dá para fazer isso, pois apesar de estarem sempre cheios, sempre há um espacinho sobrando para mais uma barraca, né?!

Refúgios:

Ofecerem acomodações simples, mas confortáveis.São mais caros: uma cama em dormitório coletivo custava em 2014 algo próximo de 26USD.  Todos tem uma excelente estrutura, com restaurante e bar. Nesse tipo de acomodação o espaço é bem limitado então, sem dúvida, é bom reservar tudo antes da viagem.

Hotéis:

Os hotéis….bom…não sei falar muito sobre eles, pois como estavam totalmente fora do meu alcance $$$, nem pesquisei..rsrs. Só posso dizer que eram grandes, e bonitos! (e que me batia uma inveja quando passávamos por eles! Rssrss)

Como chegar

A cidade mais próxima ao parque Torres del Paine é Puerto Natales. Esse é o ponto inicial da viagem. De lá, pega-se um ônibus (de aproximadamente 2 horas, dependendo da portaria em que você pretende chegar) até a entrada do parque.

Para chegar a Puerto Natales, você pode sair de El Calafate (Arg), Punta Arenas ou Rio Gallegos (Arg).

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A logística para chegar até o parque pode ser chatinha, pois os horários dos vôos, dos ônibus entre as cidades, e dos ônibus até o parque são restritos e “desencontrados”.

Essa é a primeira atenção que deve-se ter para realizar o W: planejar os ônibus e buscar comprar todas as passagens com antecedência, já que as opções são poucas. Vi muitas pessoas ficarem sem passagem e precisarem readaptar todo o roteiro.

Meu Roteiro

Já tínhamos passagens compradas para SP – Baires – El Calafate, com troca de aeroporto em Baires e muuuuuito tempo de espera.

Buenos Aires – El Calafate – Puerto Natales

Chegando em Calafate, precisávamos pegar ônibus para Puerto Natales. Como não tinha conseguido comprar a passagem pela internet com antecedência, e já conhecia os horários de saída, sabia que chegaríamos em cima da hora na rodoviária, e que havia risco de não conseguirmos lugar.

Do aeroporto de Calafate até o centro da cidade há serviço de transfer coletivo (que nada mais são do que taxis) , por 250 pesos para até 4 pessoas. Estava aflita, pois além da demora na imigração, a fila do transfer estava enooooooooooooooorme, e não tínhamos tempo para perder – se perdêssemos o ônibus para Puerto Natales, o próximo sairia somente no dia seguinte, e seríamos obrigados a replanejar toda a viagem. No meio do desespero pelo tempo, conhecemos um brasileiro que topou dividir a corrida conosco. Boa notícia do dia =)

Em 30 min chagamos na rodoviária, uns 20 min antes do último ônibus para Puerto Natales sair. Corremos para o guichê, compramos a passagem de ida (sorte do dia: havia somente 3 poltronas restantes!!) e também a de volta (para evitar riscos lá na frente.), subimos no busão e seguimos viagem, já bem cansados de quase 24 horas de trânsito.

Chegamos em Puerto Natales no início da noite, e na rodoviária já compramos a passagem para TDP para o dia seguinte. Pegamos um mapa da cidade no quiosque de turismo na rodoviária, e caminhamos de lá até o hostel sob muuuuuito frio (10 min de caminhada). Fizemos check in, tomamos banho, e corremos para a cidade buscar um lugar para jantar.

Super recomendo o hostel, apesar de não ser exatamente barato, e o restaurante.

Hospedagem: The Singing lamb hostel

Excelente e confortavel quarto duplo com banheiro privativo, boa calefação e a 10 min do centro, caminhando.

Jantar: La Picada del Gordito. Excelente custo benefício – carnes incríveis!

Puerto Natales – Parque Torres del Paine

comprasAcordamos super tarde (perdemos a hora), e perdemos o café do hostel. Saímos por volta de 10hrs para rodar a cidade, tomar café e comprar os utensílios/ferramentas que faltavam – praticamente tudo! rsrs Como sabíamos que lá seria mais barato que no Brasil, optamos por não levar nada daqui. Precisávamos de barraca, fogareiro, gás, panelas, calça impermeável, talheres, sticks de caminhada e comidas. Para variar, não tínhamos muito tempo, pois o ônibus para o parque sairia as 14hrs. Encontramos uma loja que tinha de tudo – e pela praticidade, compramos tudo ali mesmo. Achamos as coisas baratas (bem mais do que no Brasil), mas não tivemos tempo para pesquisar e comparar preços entre as 3,4 lojas que vimos na mesma rua.

Passamos no supermercado para comprar mantimentos (risoto, sopa, cup noodles, barra de cereal, chocolate, salame, pão, frios, cereal, amendoim e nuts, suco em pó). Voltamos correndo para o hostel para organizar as mochilas.

Eles disponibilizam um serviço de locker (por 10USD) para vc deixar as coisas que vc não levará para o W – uma super mão na roda! Reorganizamos tudo e partimos correndo para a rodoviária, já um pouco atrasados. Não tivemos tempo de almoçar, então o Tulio comprou uns lanches ali na rodô mesmo, e seguimos viagem.

Chegamos no parque as 16:30, na portaria Laguna Amarga. Depois de registrar nossa entrada e assistir ao video de segurança, partimos para a primeira caminhada do circuito: 7 km da portaria até o regufio Las Torres. Há a opção de fazer esse trajeto de van – um serviço bem caro, por sinal. Acabamos decidindo ir caminhando mesmo. Encarei como um aquecimento e uma adaptação à minha nova mochila heheh

inicioO dia estava ótimo, e ao longo do trajeto já podíamos admirar as Torres sob um lindo céu azul. Fomos bem devagar, curtindo a caminhada, e depois de 2hrs chegamos ao refúgio.

Escolhemos o lugar para armar a barraca, tomamos banho e fomos jantar no refúgio.

Eu já tinha reservado o spot no camping pela internet, no entanto, nas 2 noites que passamos lá, ninguém apareceu para registrar nossa barraca e cobrar a reserva.

Durante o jantar tomamos um vinho e quando começava a anoitecer, voltamos para a barraca No dia seguinte, começava o tão esperado Circuito W.

Jantar no refúgio: entrada, prato principal e sobremesa. A comida definitivamente não é boa. Se vc avaliar o preço pago então, nem se fala: 26 USD! Não valeu a pena, na minha opinião. Foi a única vez que jantamos em refúgio. Todos os outros dias, preferimos comer nossa própria comida.

Dia 1: Circuito W: Refúgio Las Torres – Mirador Las Torres – Refúgio Las Torres

Nesse dia começamos efetivamente o W!!

Acordamos as 9hrs com um dia lindo!!Mal sabíamos que seria o único dia de Sol de todo o circuito..rsrs

Tomamos o café da manhã servido no refúgio (14USD) e partimos para a trilha as 10:30.

 Como dormiríamos nesse camping novamente, fizemos essa caminhada apenas com mochila de ata
que, deixando todo o resto dentro da barraca. Na dúvida, passamos cadeado nela, mas como essa é uma prática super comum no parque, não tem porque se preocupar.

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Mirante no meio do caminho

 

 Trilha bastante difícil, com muita subida e poucos trechos planos. Mais ou menos na metade do caminhho está o Refúgio Chileno.

Ali paramos para um descanso mais prolongado, onde comemos parte dos biscoitos/lanches e tomamos um suco. Tem banheiro e uma lanchonete  que vende mantimentos básicos, caso necessário.

Ao longo da trilha, há bastante variação de terreno, sendo que o trecho final, e mais íngreme, é composto de pedras grandes e soltas, exigindo muito dos joelhos.

A caminhada é simplesmente magnifíca, ao longo dela tem muitos pontos com vistas incríveis, que rendem boas fotos. Fomos bem devagar, parando para comer e tirar fotos. Levamos apenas uma garrafa de 500mL de água, que reabastecíamos sempre – há muita oferta de água nesse pedaço do parque.

Chegando lá no alto, depois de 5 horas de perrengue, ao avistar as Torres e aquele lago de uma cor inacreditável, não pude conter as lágrimas. Estava exausta, com muita fome, e o Tulio ficou tirando sarro (e foto!) do meu choro. Aquela paisagem é uma recompensa emocionante! Valeu cada passo! Senti-me realizada por ter dado conta do desafio, e agradecida por ter tido a oportunidade de estar ali.

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Las Torres: check! =)

Apesar do sol, tinha muita nuvem no céu e ventava DEMAIS! Senti frio como poucas vezes na vida.Buscamos um lugar mais abrigado para admirar a paisagem, acender nosso fogareiro e ferver a água para o banquete do dia: cup noodles! Terminada a refeição, desmontamos tudo e tocamos ladeira abaixo, literalmente.

Por já conhecer a trilha, fizemos o retorno bem rápido, parando muito pouco. Finalmente, chegamos ao camping as 19hrs, doidos por um banho. Não queríamos jantar no refúgio, e também estávamos com muita preguiça de cozinhar. Então, compramos um pacote de pringles e uma garrafa de vinho, e voilá! Jantar servido! Rs (não nos orgulhamos disso)

Depois do vinho, cama!!!

Resumo do dia: 18km e 8 horas de caminhada

Café-da-manhã: 13usd

Chocolate para a caminhada (snickers) comprad o no refúgio: 16 usd (2 unidades)

Vinho: 23usd

Dia 2: Circuito W: Refúgio Las Torres – Refúgio Los Cuernos – Campamento Italiano

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 Placa indicativa: estão por todo o parque

Acordamos por volta de 9hrs, já debaixo de chuva (que não viria a parar nunca mais..rsrs).Comemos nossas comidas ali no camping mesmo, desmontamos as coisas e partimos para o segundo dia de caminhada. O trecho entre Las Torres e Los Cuernos é bem fácil, pouco desnível e uma paisagem muito, mas muito linda! Muitos lagos e uma vegetação maravilhosa. Como estava chovendo, fomos brindados com muita lama no caminho, o que nos rendeu calças marrons até o joelho! Rsrs

Apesar de fácil, a caminhada nesse dia foi mais lenta devido às mochilas, que estavam ainda pesadinhas por causa das comidas.

Refúgio Los Cuernos: parada para almoço na cozinha mais aconchegante do circuito
Refúgio Los Cuernos: parada para almoço na cozinha mais aconchegante do circuito

Chegamos no Los Cuernos e ficamos muito felizes por encontrar uma estrutura tão boa! A casinha tinha cara de Europa, e o lugar tinha uma vista maravilhosa. Além disso, a estrutura de apoio ao camping era muito boa, toda fechada, com mesas, cadeiras, lareiras e uma lojinha de equipamentos/mantimentos básicos – conseguimos até comprar mais um chip para a máquina ali! =)

Estávamos ensopados e aproveitamos para colocar algumas peças de roupas para secar na lareira enquanto preparamos nosso risoto. Ficamos realmente bastante tempo ali, curtindo o descanso. Apesar dos muitos mochileiros compartilhando aquele espaço, tudo fluiu muito tranquilamente.

Eu estava com muita vontade de empanada, e comprei uma GIGANTE ali por nada menos do que 9USD! Bem cara, mas grande e deliciosa. Com o cansaço que eu sentia, valeu muito a  pena!! Rsrs

O refúgio era tão gostoso que cogitamos passar a noite ali mesmo. Mas isso significaria um terceiro dia, muito, mas muito puxado! Resolvi ser conservadora e manter o roteiro, e após a refeição, seguimos a caminhada até o Italiano, ainda sob muita chuva.

Eu já sabia que o Italiano nos reservaria o que há de pior em conforto.. srsrs

Nada de banheiro, de cozinha, de água encanada….mas o fato de ter chovido o dia inteiro, e de o chão ser de terra e não de grama, deu uma apimentada especial no lugar! Virou pura lama! Minutos de desespero na nossa chegada, até encontrarmos um lugar menos lamacento para armar a barraca. Nessa altura, estávamos ensopados, enlamados e com muuuuuito frio. Há um rio enorme do lado do camping, onde pegamos água para beber e cozinhar. Não tinha mais o que fazer, então logo depois do jantar (feito na frente da barraca mesmo), dormimos.

Não parou de chover um minuto, ventou DEMAIS e fez muito, mas muito frio. Nessa hora, ter um bom equipamento (a barraca aguentou firme e forte!) e um cobertor de emergência, salvou a noite!

Resumo do dia: 17km e 8 horas de caminhada

Empanada: 9usd

Dia 3: Circuito W: Campamento Italiano – Mirador Britanico – Campamento Italiano – Refugio Paine Grande

Acordamos no horário de sempre, tomamos um chá quentinho, comemos pão e partimos para o mirante do dia: Mirador Britanico. Adivinha só? Ainda chovia. Mas pior do que a chuva, era o vento.

Começamos a caminhada e eu já estava apreensiva porque a trilha estava péssima. Muita água no caminho e muuuuuuuita lama.  Eu já tinha visto a previsão do tempo para esse dia lá no Refugio Torres: teríamos ventos de 90km/h pelo nosso caminho.

Preciso confessar que esse dia não foi legal. A caminha é difícil, bem íngreme e as condições climáticas não ajudavam.

Apesar de tudo isso, virou uma questão de honra para nós completarmos aquele dia. Ninguém com quem conversamos no acampamento subiu – todos seguiram direto para Paine Grande. Mas nós não. Tínhamos uma meta: completar o W. E as condições climáticas não nos impediriam.

No caminho cruzamos com pouquíssimos pessoas na trilha (2 ou 3 grupos apenas), o que foi bem curioso, já que os outros trechos estavam sempre tão cheios.

Um dos grupos (3 homens, um deles o Sr. Herli, de 60 anos! Um fofo!) seguiu com a gente por alguns quilômetros, mas desistiu devido às péssimas condições.

Como o tempo estava muito fechado, não tivemos o privilégio de ver o Vale do Francês – local maravilhoso que só pude ver em fotos e relatos de outros viajantes =/

Após umas 3 horas de caminhada, chegamos ao Mirador Britânico. Ventava tanto que precisávamos nos sentar no chão várias vezes para não sermos levados pelos ares. E o frio era tão grande que não conseguimos ficar muito tempo por lá.

Mirador Británico: molhada, cansada, acabada, mas cheguei!

 

vento                            Mirador Británico: vento suaaaave

 

Descemos para o Campamento Italiano o mais rápido que pudemos. Chegando no final da trilha, já na porta do Campamento, vimos uma placa que indicava que a trilha que acabávamos de terminar estava fechada! Até hoje não sei se estava fechada desde cedo, e nós subimos sem perceber, ou se ela fechou ao longo do dia..rsrs..enfim, a única coisa que sei é que nós completamos essa “perna” do W também! =) E posso dizer que fomos praticamente os únicos a fazê-lo naquele dia!

Desmontamos o equipamento, mochila nas costas e partimos para o Paine Grande, último camping!

Esse trecho é bem bonito,bem  fácil, bem plano. Mas já estávamos bem esgotados da trilha bem difícil que acabávamos de fazer. E bem irritados com tanta chuva rsrsrs

Nesse período a chuva e o vento deram uma trégua, e conseguimos chegar secos ao refúgio Paine Grande.

Dos 3 campings que ficamos, esse é o melhor. O chão é todo de grama, ele é parcialmente abrigado por um morro, o banheiro é OK, e a cozinha/espaço comum é grande e confortável.

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Camping Paine Grande (estrutura de banheiros ao fundo)

Chegamos ali  por volta de 19:30hrs, montamos a barraca, tomamos banho e fomos para dentro do refúgio comer e tomar um vinho! Infelizmente, devido ao horário, o jantar não estava mais servido e só pudemos tomar um vinho no bar, comendo algumas de nossas guloseimas mesmo. Depois disso, fomos dormir, exaustos e muuuito empolgados por termos cumprido a meta do dia, mesmo com condições tão difíceis. Sensação de realização inexplicável! =)

Resumo do dia: 18km e 9 horas de caminhada

Vinho: 23 usd

Dia 4: Circuito W: Refugio Paine Grande – Refugio Grey – Refugio Paine Grande

Acordamos nesse dia já tristes por ser o último, mas empolgadíssimos por estarmos prestes a cumprir uma jornada incrível. A chuva tinha parado (aleluia!) mas nesse dia tínhamos um outro elemento nos acompanhando: o relógio.

O último barco parte de Paine Grande para a saída do parque as 18hrs. Ou seja, tínhamos que andar os 22km desse dia até as 17hrs, aprox.

Saímos mais tarde do que queríamos e partimos em ritmo acelerado para o Grey.

Estado da bota após a cirurgia...
Estado da bota após a cirurgia…

2km depois do início, a dor no calcanhar que eu vinha sentido nos últimos dias tornou-se insuportável e comecei a mancar. Tulio, focado que é, me perguntou

– “vc gosta muito dessa bota?”

-“não. Ela está me causando muita dor”

– “então tira”

Tirei ela do pé e entreguei a ele. Ele tirou o canivete da mochila e cortou a parte de trás das botas. Posso dizer que isso salvou meu dia. Esse corte aliviou muito a dor, e pude continuar a caminhada sem grandes problemas.

Esse trecho não é tão difícil, mas é o que tem terreno mais variado, e a trilha não é tão aberta como nos outros trechos. Apesar de não estar chovendo, seguia nublado, o que restringiu um pouco as vistas.

Ao longo do caminho, pudemos ver no lago vários pedaços do glaciar soltos, flutuando na água. Eles tinham um azul lindo. Eu ficava só imaginando “o glaciar deve ser maravilhoso!”.

Depois de algum tempo de caminhada, avistamos o primeiro glaciar – realmente lindo e grandioso! Paramos para fotos e descanso, mas logo seguimos viagem. Estávamos realmente com pressa.

Logo encontramos um grupo de 4 brasileiros e começamos a andar juntos. 3 deles eram mais lentos, e acabaram ficando mais pra trás, e o que era mais experiente, juntou-se a nós e fez todo o resto do circuito conosco!

Finalmente chegamos no Refugio Grey e a dúvida: “ué! Não era para ter um Glaciar aqui?” rrsrs

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Glaciar Grey

 

Perguntamos no Refúgio e descobrimos: precisávamos andar mais 20 minutos para chegar no mirante. Fizemos isso e logo pudemos avistar aquele lindo Glaciar. Tiramos várias fotos, aprecisamos um pouco aquela vista, demos meia volta e reiniciamos a caminhada para o Paine Grande, pois sabíamos que a volta seria punk: tínhamos um target de voltar em 2,5 horas, para chegar lá com folga para organizar tudo e embarcar no catamarã.

Cumprimos o combinado, em uma caminhada extremamente forte, sem conversar ou mesmo olhar para os lados. O pique e concentração eram tão grandes que passei pelas temidas subidas sem nem hesitar ou sofrer. Cheguei no refúgio simplesmente acabada (Tulio chegou inteiro!!!), faminta, e com muita, mas muita dor no pé. Enquanto o Tulio desmontava acampamento e montava as mochilas, joguei a bota no lixo, calcei o All Star e fui para a cozinha do camping fazer a comida. Comemos 2 Cup Noodles cada um e tomamos o último suco que tínhamos.

A fila do catamarã já estava se formando e, com medo de ficarmos sem lugar, fomos para a fila com os Cup Noodles na mão! E ali mesmo terminamos os últimos alimentos que tínhamos! Voltamos com as mochilas sem nada de comida! =) Foi perfeito!

Dentro do barco ficamos de papo com um grupo grande de brasileiros (entre eles estavam Sr Herli e seu filho!) Compartilhamos histórias da viagem e todos admiraram nosso esquema roots e ficaram surpresos quando dissemos que:

  • Havíamos subido o Britânico (
  • Havíamos acampado todos os dias, mesmo com vento, frio e chuva
  • Havíamos organizado tudo sozinhos, sem contratar nenhuma agência

Daquele grupo de 10 pessoas, nós fomos os únicos que fizemos o W completinho, já que a maior parte do pessoal nem saiu dos refúgios no dia em que subimos o Britanico) !! =)

Confesso que essa conversa reforçou o que eu já estava sentindo: eu era uma vitoriosa!!!

Lago Pehoe: enquanto esperávamos na fila do catamarã
Lago Pehoe: enquanto esperávamos na fila do catamarã

 

Após 30 min de barco, chegamos na guarderia Pudeto,onde o ônibus que nos levaria de volta à Puerto Natales já aguardava os mochileiros. Subimos no ônibus e retornamos para Puerto Natales, desejosos de uma boa cama e um bom banho!

Resumo do dia: 22km e 7 horas de caminhada

Chocolates e Suco comprados no Grey: 16 usd

Resumo Total da travessia:

  • Distância percorrida: 82 km (75 do circuito + 7 entre a portaria e o primeiro refúgio)
  • Horas caminhadas: 35 horas
  • Temperatura média: 9°C
  • Que sensação indescritível finalizar um desafio como esse! Que lugar incrível, e que excelente maneira de lançar-me no mundo do montanhismo!
  • O W foi minha primeira travessia.
  • Foi a primeira (e última) vez que usei minha bota Timberland.
  • Foi também a primeira vez que acampei, e que usei cobertor de emergência, fogareiro e canivete, e que comi salame na mordida, assim, sem nem fatiar.
  • E foi tudo tão incrível que nunca mais quis parar. =)

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2 Respostas

  1. Carol Martins
    | Responder

    Oi Fernanda!! Que aventura e quanto perrengue!! Imagino a sensação de felicidade ao completar 🙂 :0 Estou indo para lá em janeiro e fiquei com uma dúvida/curiosidade. Nos dias que vocês ficaram super molhados as botas também ficaram molhadas? Se sim, vocês tinham outro par? O que vocês fizeram? Obrigada e beijos!

    • Fernanda Cazerta
      | Responder

      Oi Carol!!
      Obrigada pelo comentário e pergunta! Foi realmente incrível – e tenho certeza que vc tbm vai adorar!
      Sobre as botas – estávamos com botas impermeáveis. Então, mesmo com muita muita chuva e lama, elas molhavam por fora mas nossos pés e meias se mantinham sempre secos! =) Se eu puder te dar uma dica seria essa: se possível, invista em botas impermeáveis. Elas vão garantir o bem estar dos seus pés mesmo nos piores momentos! heheheheh até dá para ir com tênis comum, mas ficar com pé molhado e frio nesse tipo de trilha pode prejudicar o aproveitamento do seu passeio! 😉
      Espero que a dica tenha sido útil! Beijos!

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